Carnaval: Alegrias de uns, tristeza de outros

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A bicharada toda estava reunida debaixo de um imenso jequitibá, a fim de discutir os festejos de natal. O primeiro a falar foi o peru glu…glu…glu… Todo emproado e com cabeça erguida comunicou aos bichos presentes que não iria participar da festa dos bichos. É que ele tinha recebido um convite do Doutor Patrão para passar o natal com a família dele. Nem bem acabou o seu discurso, um papagaio irreverente, postado no galho de uma árvore, fofoqueou:

“Ele vai de carona com cozinheiro, embarcado numa bandeja e assadinho da silva”.

O que acontece com o peru de natal, repete-se com tantas outras aves, durante o carnaval. Elas dão o sangue para que os foliões se exibam nas avenidas. Ainda por estes dias a internet divulgou que o Brasil, ou melhor, os brasileiros gastam tanto na confecção de suas fantasias, que a importação de penas da África tornou-se um grande negócio. São penas de faisão, de pavão, de ganso e de avestruz, cuja extração confere às aves muita dor e sofrimento. Algumas chegam a ficar doentes e morrem por infecção; outras se debatem tanto durante a operação que acabam mutiladas.

Logicamente, esse processo que ocorre em grandes criações também acontece no Brasil em menor escala, mas acontece! Inclua-se na relação brasileira os beija-flores, cujas penas cintilantes decoram o corpo e as cabeças das lindas dançarinas.

As entidades conservacionistas estão atentas em relação a este crime que se pratica contra a natureza e exige aos carnavalescos, que deixem as aves em paz e utilizem as penas artificiais na elaboração das fantasias.

Será que vale a pena aplicar tamanho sofrimento às aves, apenas por alguns minutos de vaidade e de fama?

Beija-flor na passarela, só a Escola de Samba!

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Sobre o autor

Jornalista, com passagem pelos jornais de Sorocaba, "O Estado de São Paulo" e Revista Globo Rural em seus 50 anos de atividade profissional. Atualmente dedica-se à pesquisa histórica na região de Sorocaba. É autor de 8 livros.

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