Manon: Esse é o cara!

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Quantos passarinheiros não me ligam e perguntam: você tem um “manonzinho”?

Olha a palavra utilizada: Manonzinho!

Outros então perguntam: Você tem Manon Gigante? Esses acertaram! O manon realmente é um pássaro “gigante”, não pelo tamanho, mas pela sua dedicação.

Sempre injustiçado, nem sabe direito qual é a sua origem. O Diamante de Gould, o Mandarim e o Periquito tem nacionalidade. São pássaros australianos, mas os manons são híbridos da família das lonchuras. Híbridos que deram certo. São férteis. E como são.

Não é um pássaro egoísta, muito menos preconceituoso. Cria pássaros de qualquer espécie que ele possa tratar. Cria praticamente todos os exóticos de pequeno porte. Cria até Calafate.

Por ser um pássaro de pequeno valor comercial – para os leigos – não são tratados com alimentação adequada. Está cheio de passarinheiros que criam manons só com painço e mais nada. Depois colocam cinco ovos de Diamante de Gould para ele chocar e ainda querem que tratem bem dos filhotes. Mesmo com tudo isso eles tratam ou pelos se esforçam bastante.

Quando comecei criar exóticos, adquiri vários casais em aviculturas, pois pretendia que fossem amas-secas dos Diamantes de Gould. Já nos primeiros acasalamentos consegui filhotes maiores que os pais. Constatação: o tamanho não tem a ver só com a genética, mas depende muito da alimentação e do número de ovos que eles chocam. Quanto menos filhotes no ninho, com uma alimentação equilibrada, maiores os filhotes.

Em 1994, adquiri meus primeiros pássaros vindos da Europa. Naquele tempo, a importação era possível. Agora a Secretaria da Agricultura não permite a importação. Adquiri quatro exemplares. Dois deles de penas longas, maiores, mas com a coloração pálida. Dois deles de penas curtas e com as penas negras bem intensas. O desenho não era perfeito. As penas da barriga não eram em forma de “V”. Apenas um deles tinha algumas penas nesse formato.

O que fiz: formei dois casais. Um com penas longas e outro com penas curtas. Do primeiro casal nasceram dezesseis filhotes e do segundo apenas oito. Fiquei muito contente, pois alguns filhotes já nasceram melhor que os pais.

No segundo ano, formei vários casais acasalando penas longas com penas curtas. Nesse ano, eu tirei mais de cem filhotes. Os pais já estavam adaptados ao Brasil.

Após alguns anos de criação, fazendo a seleção dos melhores filhotes, consegui chegar a pássaros excelentes para participação de campeonatos, ou seja: pássaros grandes, com desenhos bem definidos.

O rabo, cloaca, bico, penas principais da asa e peito com a coloração bem negra. A barriga com penas em forma de “V”. O dorso com estrias. Um pássaro grande e “arredondado”. Olhos bem vivos. Entendo que esse pássaro da foto, nascido aqui no meu criadouro, é uma referência para participação em concurso.

Nos anos seguintes, adquiri pássaros de outras cores, tais como: canela, moka, inos e linha cinza. Como o Negro-Marron é dominante geneticamente, comecei a passar as características ideais dele para as demais cores. Desde a importação até chegar a pássaros ideais das diversas cores, levei mais de dez anos de trabalho (trabalho?).

Hoje, no Brasil, temos pássaros que podem competir na Europa de igual para igual com os estrangeiros.

Dá para dizer que esse pássaro aí da foto é um “manonzinho”?

Um detalhe importante: como esse pássaro não existe na natureza, é o criador que tem que fazer os melhores cruzamentos para chegar ao pássaro ideal.

A gaiola de criação pode ser a mesma da criação de canários, conhecidas como “argentinas”.

Os ninhos ideais são os de formato “caixa” com abertura na frente.

A alimentação deve ser variada e abundante, tendo como básica, os grãos e a complementar constituída de verduras e farinhas. Não conheço um estudo que permita verificar a quantidade correta dos alimentos a ser fornecido, mas posso recomendar a seguir a que tenho dado por vários anos e venho obtendo razoável sucesso:

  1. a) grãos: Painço 70% e Alpiste 30%

Os grãos devem ser estocados em local seco e ventilado, quando fornecê-los aos pássaros deve-se peneirá-los para que fiquem livres de poeira.

  1. b) Verduras: Almeirão ou chicória, três vezes por semana.
  2. c) Farinhada: Caseira ou Industrializada.
  3. d) Outros: Areia média de rio, bem lavada (ajuda na digestão) e casca triturada de ovo de galinha.
  4. e) Água de beber

Recomenda-se que a água seja trocada diariamente e em certos casos (casal com grande quantidade de filhotes) duas vezes ao dia. A água deve ser fresca e filtrada de preferência e os bebedouros devem ser bem lavados.

Bem como se pode ver, o tamanho desse pássaro vai além das aparências. Superando preconceitos, vem cada vez mais crescendo no conceito dos criadores brasileiros e sendo valorizado na sua beleza e miscigenação perfeita.

Por: Cesar Ramon Del Rio

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Sobre o autor

Cria pássaros exóticos desde 1986. Tetracampeão Brasileiro de Exóticos. Campeão Mundial dos dois Hemisférios (norte e sul). Diversas vezes campeão do troféu eficiência do campeonato Brasileiro de ornitologia. Campeão em diversos grupos no segmento de exóticos.

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