Voando para o Sul

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Voando é força de expressão, mania de passarinheiro. Na verdade, nós fomos mesmo de carro, na direção da sinuosa e maravilhosa estrada de Tapiraí a Junquiá.  Primeiro passo era chegar a Rio Negro, na divisa do Paraná com Santa Catarina, ia explicando ao meu companheiro de viagem, Sérgio Coelho de Oliveira. Mas até lá tem muito chão pra rolar, muito lugar bonito, como o Parque Estadual do Alto Ribeira e um número irritante de radar, controlando a nossa viagem. E assim nós fomos, “ligeiro e calmo” como dizia um amigo meu, seguindo as regras do jogo e mantendo o foco da viagem, distribuir Manons a um grupo de criadores do Sul.                                                                     Tomamos um café reforçado na passagem de Registro e em Curitiba saboreamos um churrasco de primeira qualidade. Havíamos saído às 6 horas de Sorocaba e lá pelas 13 já estávamos deixando a capital paranaense na direção de Rio Negro. Segundo o meu companheiro aqui do lado, o Sérgio, este era um povoado que nasceu nas margens do Rio Negro, no tempo dos Tropeiros. Era sede de um Registro de Animais, tipo de pedágio, o que obrigava os tropeiros a fazer um pouso, brotando daí duas cidades – Mafra, do lado de Santa Catarina, e Rio Negro, do lado do Paraná. Hoje, duas belas cidades.

Empolgados com os encantos do caminho do sul, quase que íamos nos esquecendo da missão principal desta jornada, que era difundir o Clube do Manon, contatar os seus participantes e conquistar ornitólogos das novas gerações. Assim, chegamos à porta do nosso já velho amigo Álvaro Pereira da Cunha Filho, comerciante e industrial do segmento de tecelagem e confecção, grande criador de pássaros, com destaque para os canários, arlerquim português, Liagart espanhol e periquito inglês. Iniciou, recentemente, uma criação de Manons, agora enriquecida com exemplares da nossa criação. Nem bem deixamos a casa do Álvaro, atravessamos a rua, passamos pela ponte e já estávamos em território catarinense. Na cidade de Mafra, onde se juntou a nós o ornitólogo Alyre Marx Bacellar, sub-tenente da Polícia Militar de Santa Catarina que mora em Papanduva-SC, experiente criador de pássaros é agora nosso aliado no trabalho de valorizar os Manons. Uma ave de grande importância na ornitologia mundial.

Voltamos de Santa Catarina em tempo de saborear um jantar preparado por dona Salete, nossa anfitriã naquela noite. Que costela!!! Regada a boa cerveja artesanal e um papo bastante agradável, com direito a economia, política, futebol e um pouco de passarinhos.

Só deixamos Rio Negro no dia seguinte, após delicioso café da manhã.  Pé na estrada e o destino agora é Jaraguá do Sul, que juntamente com outras cidades da região, forma um grande núcleo de ornitólogos. Aí estava a nos esperar o criador Cláudio Grubba, de São Francisco do Sul, ansioso pela chegada dos pássaros de Sorocaba para o seu plantel e também para o plantel do Roni Cardoso Silva de Joinville. Após um breve bate-papo, partimos para Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil. Paramos (não podia deixar de ser) no restaurante Wunderwald, especializado em pratos alemães, com destaque para a polenta de milho branco e marreco recheado. O motorista aqui, no caso eu, não pode tomar nenhuma cervejinha… A minha parte ficou para Sérgio com direito a Stanheger e tudo. A minha farra ficou para noite, numa casa de massas, em Blumenau, com uma cerveja trincando.  Pela manhã, em Blumenau, tivemos a oportunidade de visitar uma casa de antiguidades, onde o Sérgio esperava encontrar alguma peça para o Museu do Tropeiro, que está montando em Sorocaba. Segundo ele, valeu a pena.

Na estrada de novo, já agora em clima de retorno.  Na direção de Joinville. Antes porém, tem uma atração no meu roteiro gastronômico:  churrascaria Schumacher, em Guabiruba. Nunca vimos tanta comida, tivemos que mandar parar. E novamente marreco no cardápio.  Legumes e dezenas de outros acompanhamentos.

 Em Joinville, marcava a nossa agenda preparada em Sorocaba, uma visita à casa de Aristides Paterno, campeão brasileiro, em 2017, de katarinas.  Encontro agradável, como a coroar a nossa turnê. Passamos a noite na capital dos pinheirais, hoje mais conhecida como terra do Lava-Jato e aproveitamos a manhã para visitar duas grandes lojas de antiguidades, chamadas Mercado das Pulgas. Duas imensas lojas, como nunca tinha visto.

Procurar antiguidades é especialidade do meu parceiro, Sérgio Coelho, um estudioso de tropeirismo e que está sempre preocupado em resgatar alguma relíquia do tempo das tropas.

Na rigorosa expressão do provérbio, fizemos uma viagem útil e agradável.  Em nome da ornitologia e nas asas dos pássaros viajamos por mundos e culturas diferentes, conhecendo parques, estradas, cidades, sabores, tropas e tropeiros. Conhecendo, sobretudo, amigos, velhos amigos e amigos novos.

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Sobre o autor

Cria pássaros exóticos desde 1986. Tetracampeão Brasileiro de Exóticos. Campeão Mundial dos dois Hemisférios (norte e sul). Diversas vezes campeão do troféu eficiência do campeonato Brasileiro de ornitologia. Campeão em diversos grupos no segmento de exóticos.

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