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Ou por sua beleza ou por sua graça, pelas cores deslumbrantes de suas penas, pela delicadeza  de seu canto, os pássaros sempre foram tema de inspiração dos artistas. Aqui um poeta, ali um compositor, pintores e escultores cantaram as aves.

Foi um sabiá que imortalizou Gonçalves Dias, ao personalizar no seu canto  a saudade intensa que sentia do Brasil. É considerada a poesia mais popular da história da literatura brasileira. É muito raro o brasileiro  que ao passar pelos bancos escolares não tenha ouvido  ou recitado “Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”. Virou show, virou música e chegou a ser traduzida para diversos idiomas. Bom relembrar.

Minha terra tem palmeiras

Onde canta o sabiá;

As aves que aqui gorgeiam

Não gorgeiam como lá

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá,

Sem que eu desfrute os primores,

Que eu não encontro cá;

Sem que ainda não aviste as palmeiras,

Onde canta o sabiá.

Gonçalves Dias faz parte da geração de poetas brasileiros de meados  do século XIX, que inovou em seus versos o sentimento de brasilidade. Deixaram de cantar os rouxinóis europeus para se dedicar aos sábias; aposentaram os deuses da mitologia grega e  romana para se apegar aos duendes da floresta brasileira, tupã, saci e mãe-d’água. Poeta voltado à vida e aos costumes dos índios, José de Alencar definiu: “Gonçalves Dias é o poeta nacional por excelência”.

É nesse momento que entram as nossas aves na poesia brasileira, como o sabiá das palmeiras e outros exemplos, que vamos citar.

“Quero antes o colo da ema orgulhosa,

Que pisa vaidosa;

Que as flóreas campinas governa. …”

(Da poesia “Marabá”)

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“Meus loiros cabelos em ondas se anelam,

o ouro mais puro não tem seu fulgor;

As brisas do bosque de os ver se enamoram

De os ver tão formosos como um beija-flor .

(Da poesia “Marabá”)

Da poesia “A tarde” extraímos estes três versos:

A brisa que murmura na folhagem

As aves que pepitam docente,

A estrela que desponta, que rutila”.

E, finalmente, em “Canto do Piaga”, esta estrofe;

Tu não viste nos céus um negrume,

Toda a face do sol ofuscar,

Não ouviste a coruja, de dia,

Seus estrídulos torva soltar?”

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Sobre o autor

Jornalista, com passagem pelos jornais de Sorocaba, "O Estado de São Paulo" e Revista Globo Rural em seus 50 anos de atividade profissional. Atualmente dedica-se à pesquisa histórica na região de Sorocaba. É autor de 8 livros.

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